Cuidado com anti-pulgas em Gatos !!

18, janeiro, 2012 Marcio Sem comentários

As pulgas e os carrapatos são uma preocupação constante e eliminá-las nem sempre é uma tarefa simples.

Existem diversas substâncias que funcionam como antiparasitários externos, apresentando-se sob diversas formas: coleiras. Sprays, spot-on (pipetas) e formulações para banhos.

O spot-on, mais vulgarmente conhecido por pipetas é um dos mais utilizados pelos donos, tanto em cães como em gatos. Estes são colocados na pele do animal, sendo absorvidos pela gordura subcutânea e disseminando-se pelo corpo. O seu efeito é de um mês, tendo que ser colocado mensalmente.

Ou a concentração ou o princípio ativo que as constitui difere de cão para gato.

As piretrinas/piretróides são utilizadas no controle de pulgas, piolhos e carrapatos. As piretrinas derivam de um composto botânico, o Chrysanthemum cinerariaefolium, e os piretróides são de origem sintética.

Estas substâncias não se utilizam nos gatos, pois estes possuem uma sensibilidade elevada relativamente aos cães, devido à reduzida capacidade em conjugar o composto, provocando facilmente toxicidade nos gatos.

Uma situação freqüente é colocarem-se pipetas que foram formuladas para os cães erradamente nos gatos, provocando alterações graves ou mesmo a morte.

Fica aqui o alerta: Nunca coloque uma pipeta para cão no seu gato

Os sinais de intoxicação por piretrinas/ piretróides ocorrem normalmente entre 1 a 3 horas após a exposição, mas também pode ser possível passadas até 12 horas.

Os sinais mais freqüentes de intoxicação são:

-Depressão

-Hipersalivação

-Movimentos rápidos das orelhas

-Contrações do músculo cutâneo

-Tremores das patas

-Fraqueza muscular

-Hiperexcitabilidade

-Vômitos

-Diarréia

-Alterações respiratórias

O animal não tem obrigatoriamente que apresentar todos estes sinais, depende do tempo de exposição e da quantidade administrada.

O tratamento é sintomático, só o Médico Veterinário pode o fazer com segurança e eficiência.

Caso se engane ao colocar a pipeta e o animal não apresentar sinais de intoxicação, este deve ser imediatamente lavado com água, abundantemente. Não use água quente, pois a temperatura elevada da água faz com que aumente a sua absorção através da pele. E leve de imediato o seu animal ao seu Médico Veterinário de confiança. A rapidez do atendimento é essencial.

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Entrevista Petzine (Displasia Coxofemural)

19, setembro, 2011 Marcio Sem comentários

Demos uma entrevista ao site PetZine (www.petzine.com.br) falando um pouquinho sobre a Displasia Coxofemural, uma doença que é uma má formação da articulação coxofemural (articulação do fêmur com a bacia). Vale a pena conferir:

Diabetes Canina (Diabetes Mellitus)

6, julho, 2011 Marcio Sem comentários

Para sobreviverem, todas as células que compõem os vários órgãos necessitam de glicose, um açúcar obtido sobretudo através dos alimentos e que é transportado para as células através do sangue. Para que as células possam retirar a glicose do sangue, é necessário a presença de uma substância denominada insulina. A insulina é produzida no pâncreas e, tal como acontece nos humanos, quando ela não está presente ocorre uma doença chamada diabetes mellitus.

Nos cães esta patologia tem várias causas, como sejam fatores genéticos, obesidade, administração de certos medicamentos ou ainda outras doenças concomitantes. Geralmente surge em cães com idade entre os 7 e os 9 anos, podendo também ocorrer, embora raramente, em cães com menos de 1 ano. As raças mais predispostas a sofrerem de diabetes mellitus são os Caniches, Dachshunds, Labradores, Golden Retrivers, Huskie Siberianos e Yorkshire Terriers, podendo, contudo surgir também em outras raças ou raças mistas.

Quais os principais sintomas?

Como não existe insulina para fazer o transporte da glicose para as células, começa a haver acumulo de açúcar no sangue. Este açúcar em excesso, que arrasta consigo grandes quantidades de água, é eliminado do organismo através da urina. Assim, um dos primeiros sintomas que se observa num cão diabético é a produção de grande quantidade de urina (o cão pode, por exemplo, começar a urinar dentro de casa). Para compensar os fluidos perdidos através da urina excessiva, o cão irá também beber maior quantidade de água.

Por outro lado, como as células não recebem glicose ficam “famintas” e enviam a informação de que necessitam de energia para continuarem a funcionar; esta informação enviada pelas células traduz-se num aumento de apetite do cão, que assim irá consumir maior quantidade de alimento que o habitual. Apesar de o cão comer mais, as células continuam a não receber glicose (devido à ausência de insulina) e como tal vão obter a energia de que necessitam degradando as reservas de açúcar dos músculos e da gordura; como conseqüência, o cão diabético começará a perder peso.
Assim, em resumo, os 4 principais sintomas de diabetes mellitus são: aumento do consumo de água; aumento da produção de urina; aumento do consumo de alimento e perda de peso.

Como é feito o diagnóstico?

Caso o seu cão apresente os 4 sintomas referidos anteriormente, deverá levá-lo ao veterinário. A partir dos sinais clínicos observados haverá a suspeita de diabetes mellitus, suspeita esta que será confirmada através da realização de alguns testes complementares.

Em que consiste o tratamento desta doença?

Os principais objetivos do tratamento são eliminar os 4 sintomas do cão diabético, bem como impedir ou minimizar a ocorrência de complicações secundárias, muito comuns nesta doença. Pretende-se deste modo, que a quantidade de glicose no sangue se mantenha o mais próxima do normal possível, o que pode ser conseguido através da administração de insulina e de uma dieta adequada.

1 – Dieta

Os cães com diabetes mellitus devem fazer uma dieta que evite um aumento brusco da quantidade de glicose no sangue após as refeições. Com este objetivo, deve ser administrada uma dieta que contenha grande quantidade de fibra, pois a fibra torna mais lenta a saída dos alimentos do estômago, evitando um aumento repentino da glicose no sangue.
É também importante que a quantidade e composição das refeições sejam iguais todos os dias que o alimento seja dado ao cão após a injeção de insulina.

2 – Insulina

Em geral, para controlar os sinais de diabetes mellitus, os cães necessitam de 1 ou 2 injeções diárias de insulina. O objetivo da administração de insulina é “imitar” a produção fisiológica desta substância pelo organismo. Existem vários tipos de insulina, dependendo a escolha do tipo mais apropriado das características do cão, da disponibilidade do dono, do número de refeições diárias, entre outros fatores.
Cães diabéticos recentemente diagnosticados são geralmente internados por um período de 24 a 48 horas para que se possa completar a avaliação do paciente e para que se de inicio à terapia com insulina. Durante este período inicial são também transmitidas ao dono algumas informações a respeito da administração de insulina, tais como:
- Como administrar a insulina por via subcutânea;
- Mudar regularmente o local da injeção;
- Mudar a agulha periodicamente (em média cada agulha serve para 4 injeções);
- Guardar a insulina no geladeira e não expor o frasco à luz solar;
- Misturar a insulina sempre muito suavemente, rolando o frasco entre os dedos e verificando se há depósito antes da administração.

Embora inicialmente este processo possa parecer assustador para os donos, com algum tempo, paciência e persistência, as injeções diárias de insulina passarão a fazer parte da rotina, sendo facilmente executadas pelo dono e bem toleradas pelo seu cão.
Iniciado o tratamento com insulina, são feitas reavaliações geralmente semanais pelo veterinário. O objetivo destas reavaliações é estabelecer um protocolo de tratamento insulínico que permita controlar satisfatoriamente os sinais de diabetes mellitus. Este processo de ajustes iniciais pode demorar cerca de 1 mês e pode implicar modificações da dose, do tipo ou da freqüência de administração de insulina.

Após o estabelecimento do melhor protocolo de tratamento com insulina, é crucial que seja feita a monitorização do cão diabético, tanto em casa pelo dono, como pelo veterinário. Assim, o dono deve observar diariamente a quantidade de água ingerida pelo cão, a quantidade de urina produzida, variações na quantidade de alimento consumido, atitude geral do cão, entre outros aspectos. Pode ainda ser importante em alguns casos, que o dono faça também a medição da quantidade de glicose no sangue (através de pequenos aparelhos portáteis, também usados por pessoas diabéticas).

A cada 3 a 6 meses é feita a monitorização pelo veterinário, que tem por base o exame físico, medição do peso, medição da glicose no sangue, entre outros parâmetros. É também importante que nestas reavaliações o dono transmita ao veterinário a sua opinião sobre o estado de saúde do seu companheiro, bem como o seu grau de satisfação em relação ao tratamento.

Se os sinais clínicos recidivarem ou se ocorrerem outras complicações, esta reavaliação será realizada mais cedo. De fato, é possível que mesmo após o início do tratamento, o cão diabético continue a manifestar sinais de diabetes mellitus. Caso isto ocorra, é importante pesquisar as possíveis causas de ineficiência da insulina, tais como: dose, tipo ou freqüência inadequadas de insulina; má técnica de administração de insulina ou ainda outras doenças concomitantes que possam causar resistência à insulina. Outra complicação comum decorrente da administração de insulina é a existência de níveis demasiado baixos de glicose no sangue. Esta situação pode ocorrer, por exemplo, devido à administração de uma dose excessiva de insulina e os sintomas incluem fraqueza, inclinação da cabeça, letargia e convulsões. Um cão diabético que manifeste estes sinais deve ser levado rapidamente ao veterinário.

Qual o prognóstico?

O prognóstico para cães diabéticos depende de vários fatores, entre os quais a presença ou ausência de outras complicações crônicas. As complicações crônicas mais comuns em cães são a cegueira devido à formação de cataratas, pancreatite crônica e infecções urinárias, respiratórias ou da pele; um bom controle dos níveis de glicose no sangue permite diminuir os riscos de aparecimento destas complicações.

Em geral, os cães diabéticos tem, a longo prazo, um prognóstico reservado, vivendo em média menos de 5 anos após o diagnóstico. Contudo, com os cuidados adequados do dono e avaliações regulares do veterinário, o cão diabético pode ter uma vida estável e feliz durante alguns anos.

Campanha Nacional para conscientização sobre charlatanismo na Medicina Veterinária

7, junho, 2011 Marcio 2 comentários

Você gosta realmente de seu animal de estimação? Leva-o regularmente ao Médico Veterinário ou a um charlatão?

A principal queixa de clientes nos consultórios veterinários de todo o país nos permite afirmar que a prática vergonhosa do charlatanismo vem aumentando significativamente nos últimos anos.

Todos os dias chegam aos consultórios veterinários animais moribundos, alvos da irresponsabilidade de marginais que ao se passarem por profissional Veterinário, comprometem não só a saúde de seu melhor amigo, como também a sua e a de seus familiares porque não sabem diagnosticar ou fazer a correta profilaxia contra importantes doenças que podem ser transmitidas ao homem, as chamadas zoonoses.

Não permita que isso aconteça. Participe da CAMPANHA PELA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL DO MÉDICO VETERINÁRIO.

Se você tem uma história para contar sobre barbáries cometidas por um charlatão, escreva e faça o seu comentário. Ela poderá ser útil para a conscientização de outras pessoas.

O QUE É UM CHARLATÃO?

Charlatão é aquele indivíduo que se faz passar pelo que não é, obtendo ou não vantagem financeira, aproveitando-se de sua boa fé.

Charlatão é aquele criador, dono de Petshop, de avicultura, de loja veterinária, protetor ou pessoa comum que acredita que só lhe falta o diploma para ser veterinário e por conta prescreve receitas, aplica vacinas, faz internações ou até pequenas cirurgias nos fundos de seu estabelecimento.

Charlatão é aquele balconista que altera a receita do profissional responsável porque não dispõe do medicamento em seu estabelecimento.

Charlatão é aquele indivíduo que vai em sua casa vestido de branco e se faz passar por médico veterinário consultando o seu animal.

O QUE FAZER PARA IDENTIFICAR O MÉDICO VETERINÁRIO?

Exija em caso de dúvida a sua carteira profissional, documento que comprova sua inscrição no Conselho Regional de Medicina Veterinária de seu estado, ou até mesmo seu diploma.

COMO DENUNCIAR UM CHARLATÃO?

Junte os originais ou cópias autenticadas dos documentos que ele possa ter emitido (receitas, atestados de vacinas, orientações profissionais para animais em situações especiais).

Caso tenha testemunhas aponte-as e indique endereços onde possam ser encontradas.

Encaminhe através de carta registrada para o CRMV de seu estado o material disponível, solicitando ao Presidente do órgão providências no sentido de encaminhar sua denúncia ao Juizado Criminal Especial, para que seja instaurado o devido processo.

Doença Articular Degenerativa

13, maio, 2011 Marcio Sem comentários

O que é?

A Doença Degenerativa Articular (DDA) é uma patologia crônica, progressiva e minimamente inflamatória das articulações, resultando em lesões na cartilagem articular, com alterações degenerativas e proliferativas.
A DDA pode ser primária ou secundária a outra patologia. A primeira surge em pacientes geriátricos pelo desgaste e aparecimento de fissuras da cartilagem que ocorre com o envelhecimento. A DDA secundária é a mais freqüente em animais de companhia e desenvolve-se por condições conhecidas que afetam a articulação e estruturas que a suportam, tal como displasia coxo-femural, displasia de cotovelo, ruptura do ligamento cruzado cranial (do joelho), etc.

Como se desenvolve?

A cartilagem normal é composta por colágeno e uma matriz protéica, produzidos e mantidos pelas células cartilagíneas, os condrócitos. O desgaste da cartilagem leva destruição de condrócitos, que libertam enzimas que degradam a matriz, diminuindo a resistência da cartilagem, levando à exposição do colagéneo e ao aparecimento de fissuras. Estas provocam destruição de condrócitos, perpetuando o processo.
Com a DDA a cartilagem perde espessura, fica mole e esponjosa, torna-se amarelada e fissura. A nível ósseo, surgem lesões de esclerose (anormal aumento da densidade e rigidez óssea) sob as zonas de erosão cartilagínea, formam-se osteófitos, que são pequenas ossificações intra-articulares ou a nível da cápsula articular e pode haver a formação de quistos sob a cartilagem.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais comuns são dificuldades locomotoras, intolerância ao exercício, claudicação (permanente ou intermitente) e atrofia muscular. O paciente apresenta dor, diminuição da amplitude de movimentos e por vezes, crepitação e inchaço nas articulações.
Inicialmente pode ser visível apenas alguma rigidez nos movimentos ou claudicação intermitente, que piora com clima frio e úmido ou com exercício vigoroso. Com o desenvolvimento da doença, a dor torna-se difícil de suportar, resultando em claudicação permanente e atrofia muscular; nesta fase a dor pode também manifestar-se por perda de apetite e alterações de comportamento, como irritabilidade ou inquietude.

Como se trata?

Antes de mais nada, os objetivos do tratamento são minimizar a dor e desconforto e impedir (ou atrasar) a degeneração da cartilagem articular. Uma vez que a maior parte dos casos de DDA são secundários a outra patologia, é fundamental que esta seja corrigida quanto antes, de modo a prevenir o precoce desenvolvimento da doença.

Exercício:
Nos momentos em que a doença se agudiza, registra-se inflamação moderada na articulação e portanto exercício agrava e prolonga esta inflamação. Nesta fase, uma maior restrição de atividade é muito útil. Não se recomenda desuso total das articulações afetadas, mas sim limitar o exercício a pequenos passeios à trela, eliminando as corridas e saltos.

Dieta:
O peso excessivo aumenta as forças exercidas na articulação, aumentando os níveis de dor e acelerando a degeneração da cartilagem. É vivamente recomendada a rápida perda de peso quando este é excessivo.

Acupuntura:
A acupuntura tem mostrado resultados promissores na redução de dor e aumento do uso dos membros com articulações afetadas pela DDA.

Anti-inflamatórios:
Os anti-inflamatórios não esteróides (AINE) são freqüentemente usados no maneio da DDA, sendo particularmente úteis na redução da dor e desconforto. Como os AINE reduzem a dor, é freqüente os animais aumentarem consideravelmente os níveis de atividade, podendo agravar a doença. É, por isso, recomendado que enquanto os pacientes tomam analgésicos, que façam repouso.
Apesar dos AINE usados atualmente serem bastante seguros, os efeitos secundários (por exemplo, a nível gastrintestinal, renal, hepático, etc.) são preocupantes.
Os anti-inflamatórios esteróides, apesar do potente efeito anti-inflamatório, provocam uma marcada inibição da síntese de proteoglicanos e colagéneo, resultando na depleção da matriz e progressão da DDA. Este fato, associado aos conhecidos efeitos secundários sistêmicos, impede que sejam usados com freqüência.

Analgésicos opióides:
Apesar de não fazerem parte do tratamento de rotina da DDA, são particularmente úteis em casos de dor intensa e incapacitante. Como são melhor tolerados em tratamentos prolongados, são usados freqüentemente em animais com dor crônica.

Condroprotetores:
Os condroprotetores apresentam uma composição química semelhante à dos mucopolissacáridos de que a cartilagem é constituída. O objetivo é proteger a cartilagem articular aumentado a produção de matriz ou diminuindo o ritmo de degradação da mesma.
Como condroprotetores são usados: ácido hialuronico (um componente importante do líquido sinovial); sulfato de condroitina (molécula predominante na cartilagem articular) e glucosamina (constituinte dos glucosaminoglicanos na cartilagem e do ácido hialurónico no líquido sinovial).

Cirurgia:
A cirurgia é considerada nos casos em que o tratamento conservador não permite aliviar satisfatoriamente a dor e perda de função. As técnicas disponíveis são várias e incluem remoção de osteófitos, artrodese (fusão dos ossos de uma articulação, eliminando instabilidade e dor), artroplastia (colocação de uma prótese coxo-femural, por exemplo), entre outras.

Pulga e Carrapato

29, março, 2011 Marcio Sem comentários

Os ectoparasitas são animais que vivem na pele, pêlo, pavilhão auricular e canal auditivo dos nossos amiguinhos. São uma ameaça constante para o cão e gato, mas  também para o ser humano uma vez que estes parasitas também podem infestar e transmitir doenças ao homem.

Vulgarmente chamados de “pulgas” e “carrapatos”, estes animais são na realidade Insetos Artrópodes que sobrevivem a custa dos seus hospedeiros mamíferos. Vivem na superfície da sua pele e alimentam-se de sangue.

Hoje são conhecidos registros fósseis de pulgas desde o período Cetáceo, ou seja, com mais de 100 mil anos!

Pulgas e Carrapatos também sobrevivem no meio ambiente, sobretudo em zonas de vegetação. Animais infestados contaminam outros animais pelo contacto direto e o espaço que o cerca.

As pulgas são os ectoparasitas mais freqüentemente encontrados a vista pelos donos. Dentro da vasta diversidade de espécies que compõe esta Família de Insetos, apenas as espécies Ctenocephalides canis (parasita do cão) e Ctenocephalides felis ( parasita do cão e gato) afetam os nossos amiguinhos.

As fêmeas destas espécies alimentam-se de sangue e iniciam a ovopostura após a refeição. Cada fêmea de pulga pode consumir uma quantidade diária de sangue igual a 15 vezes o seu peso, pode picar o seu hospedeiro cerca de 400 vezes num dia e colocar até 2000 ovos durante a sua vida!

O ciclo de vida das pulgas é composto por 4 fases evolutivas: Ovo, Ninfa, Larva e Adulto. Para que este ciclo se complete são necessárias condições de temperatura e umidade ideais podendo se completar de 14 a 140 dias.
1. Pulga adulta (fêmea); 2. Ovos; 3. Larva; 4. Pupa; 5. Ninfa

As conseqüências da infestação por pulgas do seu amiguinho podem ser graves.
A presença deste parasitas á superfície da pele é por si só um fator de desconforto e inquietação dado o prurido que provocam. Os animais lambem-se excessivamente e mordiscam a pele causando lesões.

Em resultado do hábito hematófago destes parasitas, numa infestação severa com grande ingestão de sangue, pode-se desenvolver uma anemia severa e até mesmo letal em animais muito jovens.
A “Dermatite Alérgica á picada da pulga” (DAPP) é uma reação de hipersensibilidade que ocorre ao nível da pele e resulta da ação antigénica da saliva da pulga que é injetada durante a picada. É caracterizada por uma alopecia e seborréia ao redor da cauda e região lombar, no ventre e patas, associada a um prurido intenso. Este quadro pode ser complicado por uma piodermatite secundária, ou seja, uma infecção secundária da pele.

As pulgas são vetores de alguns parasitas intestinais, como o Dypilidium caninum que afeta os cães, mas também podem transmitir bactérias como a Hemobartonella felis (agente da Anemia Infecciosa Felina).

Os carrapatos são parentes das aranhas e tal como as pulgas são facilmente visualizadas a olho nu.

Os cães podem ser infestados por uma grande diversidade de espécies de carrapatos. São conhecidos mais de 13 gêneros e mais de 650 espécies destes animais que parasitam inúmeros hospedeiros vertebrados.

Eles apresentam ou não um escudo dorsal rígido, distinguem-se “carrapatos duros” (gênero Ixodidae) de “carrapatos moles” (gênero Argasidae). Carrapatos do gênero Argasidae normalmente não permanecem aderidos ao hospedeiro por períodos prolongados; passam a maior parte do tempo no ambiente e procuram o hospedeiro apenas para se alimentar. Já as carrapatos do gênero Ixodidae permanecem longos períodos sobre os seus hospedeiros.

Carrapatos adultos necessitam ingerir sangue dos seus hospedeiros para poder produzir ovos, mas ao contrário das pulgas, todas as formas evolutivas do carrapato dependem do sangue para se alimentarem.
Terminada a sua alimentação, o carrapato fêmea ingurgitado de sangue cai ao chão e coloca mais de 3000 ovos. Após a ovopostura morre.

Durante o seu ciclo de vida, este parasita assume as formas evolutivas de Ovo, Larva, Ninfa e Adulto.

Os carrapatos são responsáveis pela transmissão de várias doenças aos nossos amiguinhos, mas também ao Homem.
A expressão “Doença do Carrapato” designa um conjunto de doenças infecciosas causadas por bactérias ou protozoários transmitidos pela picada do carrapato, nas quais se destacam pela sua severidade a Doença de Lyme ou Borreliose, Erlichiose, Babesiose, Anaplasmose, Hepatozoonose e Rickettsiose.

A PREVENÇÃO é a chave para impedir a infestação por carrapatos e evitar a transmissão destas doenças.
O período de maior risco de infestação por carrapatos ocorre entre Abril e Outubro, mas o seu controle deve ser feito durante todo o ano! Evite passear o seu cão por zonas de vegetação intensa e mantenha-o sempre com ectoparasiticidas. Existem no mercado diversos produtos com diferentes apresentações que permitem uma desparasitação externa segura e duradoura, quer para pulgas quer para carrapatos. Consulte o seu Médico Veterinário.

Não aplique o desparasitante externo do seu cão no gato! Muitos dos compostos utilizados na prevenção das pulgas e carrapatos no cão, tais como a Permetrina e outros Piretroides, são altamente tóxico para os gatos e podem ser letais. Se tal ocorrer e se verificar que o seu gato apresenta sintomatologia nervosa (convulsões, vocalizações, ataxia, tetania, desorientação), salivação e vômitos dirija-se imediatamente a um Veterinário.

Piometra, do que se trata?

19, fevereiro, 2011 Marcio Sem comentários

O que é a piometra?

De uma forma simplificada, a piometra é uma infecção do útero. No entanto, a maioria dos casos de piometra são mais difíceis de tratar que uma simples infecção. A infecção da parede do útero ocorre devido a certas modificações hormonais. Após o estro (“cio”), os níveis de progesterona (um dos hormônios envolvidos no ciclo estral) permanecem elevados durante 8 a 10 semanas, provocando um espessamento da parede do útero como preparação para a prenhez. Se a prenhez não ocorrer após vários ciclos, a espessura da parede continua a aumentar até que se formam quistos no seu interior. A parede quística espessada produz fluídos que criam o ambiente ideal para o crescimento de bactérias. Além disso, os níveis elevados de progesterona inibem a capacidade de contração dos músculos da parede do útero, conduzindo à acumulação nociva destes fluídos.

Que outras situações podem causar estas alterações no útero?

A utilização de medicamentos à base de progesterona podem provocar o mesmo fenômeno. Adicionalmente, o estrogênio (outro hormonio sexual) aumenta os efeitos da progesterona sobre o útero. Medicamentos que contêm alguma destas hormonios são por vezes usados para tratar certos problemas do sistema reprodutor.

Como é que as bactérias chegam ao útero?

O cérvix é a porta de entrada do útero. Ele está quase sempre fechado, abrindo no estro. Quando está aberto, as bactérias que se encontram normalmente presentes na vagina podem entrar no útero muito facilmente. Se o útero estiver normal, o ambiente é adverso para a sobrevivência das bactérias. No entanto, quando a parede uterina está espessada e quística existem as condições ideais para o crescimento bacteriano. Além disso, quando estas circunstâncias anormais se verificam os músculos do útero não conseguem contrair-se convenientemente. Isto significa que as bactérias que entram no útero não podem ser expulsas.

Quando ocorre?

A piometra pode ocorrer em cadelas de qualquer idade após o primeiro cio. No entanto é mais comum em cadelas mais velhas. Após vários anos de ciclos estrais sem gestação começam a ocorrer na parede uterina as alterações que favorecem esta doença. O momento típico para o aparecimento de piómetra ocorre 1 a 2 meses após o estro.

Quais são os sintomas duma cadela com piometra?

Os sinais clínicos variam conforme o cérvix se encontre fechado ou aberto. Se estiver aberto, o pus acumulado no útero drenará para o exterior, notando-se um corrimento de aparência variável na vagina, na pele e pelo sob a cauda e até nos locais onde a cadela se tenha sentado ou deitado. Podem ainda notar-se febre, letargia, falta de apetite e depressão. Se o cérvix estiver fechado o pus que se forma não é drenado para o exterior. Acumula-se no útero, causando distensão abdominal. As bactérias liberam toxinas que são absorvidas para a circulação. Nestes casos, as cadelas normalmente ficam gravemente doentes em pouco tempo. Perdem o apetite e ficam apáticas e deprimidas. Podem ocorrer vomitos e diarreia. As toxinas bacterianas afetam a capacidade renal de filtrar e reter os líquidos. A produção de urina aumenta e as cadelas bebem água em excesso para compensar as perdas renais. Isto ocorre tanto nas piometras abertas como nas fechadas.

Como é diagnosticada?

Uma cadela de aparência doente que beba demasiada água e não tenha sido esterilizada é sempre suspeita de sofrer de piometra. Isto é especialmente válido se o abdómen estiver aumentado ou houver descarga vaginal. As cadelas com piometra têm uma elevação marcada dos glóbulos brancos e das globulinas (um tipo de proteína produzida pelo sistema imune) no sangue. A densidade da urina é muito baixa devido aos efeitos tóxicos das bactérias sobre os rins. No entanto, todas estas alterações podem estar presentes em qualquer animal com uma infecção bacteriana grave. Se o cérvix estiver fechado pode realizar-se uma radiografia para identificar o útero aumentado. Se o cérvix estiver aberto, o aumento do volume uterino não é normalmente suficiente para que a radiografia seja conclusiva. A realização de um ultrassom é de grande utilidade na identificação de um útero aumentado e na sua distinção de uma gravidez normal.

Como é tratada?

O tratamento de eleição consiste na remoção cirúrgica do útero e dos ovários. Este procedimento chama-se ovario-histerectomia (castração). No entanto, a maioria dos pacientes está gravemente doente e a cirurgia não é tão rotineira como numa cadela saudável. Geralmente é necessário estabilizar o paciente através da administração de fluidoterapia intravenosa antes e após a cirurgia. Adicionalmente, é realizada antibioterapia durante 1 a 2 semanas.

A minha cadela é uma reprodutora valiosa. É possível tratá-la sem a esterilizar?

Existe uma abordagem médica ao tratamento da piómetra. As prostaglandinas são um grupo de hormonios que diminuem os níveis sanguíneos de progesterona, promovem o relaxamento e abertura do cérvix e a contração do útero de modo a expelir as bactérias e o pus. Podem usar-se para tratar esta doença, mas nem sempre este tratamento é bem sucedido e existem algumas limitações importantes à sua utilização: 1. Causam os seguintes efeitos secundários: agitação, respiração acelerada, náusea, vómito, defecação, salivação e dor abdominal. Estes efeitos manifestam-se cerca de 15 minutos após a injecção e duram algumas horas. Tornam-se progressivamente mais ligeiros com cada injeção subsequente e podem ser reduzidos passeando a cadela durante 30 minutos após a injeção. 2. Não ocorrem melhoras clinicamente relevantes nas primeiras 48 horas e por isso as cadelas que se encontrem severamente doentes são más candidatas a este tratamento. 3. Como provocam a contração do útero, existe o risco de ruptura da parede uterina e disseminação da infecção para a cavidade abdominal. Isto é particularmente provável quando o cérvix se encontra fechado.

O que acontece se nenhum dos tratamentos anteriormente descritos for realizado?

As hipóteses de sucesso num tratamento de piómetra sem recurso à cirurgia ou à administração de prostaglandinas são extremamente baixas. Se o tratamento adequado não for realizado rapidamente os efeitos tóxicos bacterianos serão fatais. Se o cérvix estiver fechado é possível ocorrer a ruptura do útero, disseminando-se a infecção à cavidade abdominal e estabelecendo-se uma peritonite. Isto também será fatal.

Tosse dos Canis (Traqueobronquite Infecciosa)

8, fevereiro, 2011 Marcio Sem comentários

A Traqueobronquite Infecciosa Canina, vulgarmente denominada Tosse dos Canis, é uma infecção vírica e/ou bacteriana das vias aéreas superiores do trato respiratório dos cães.

É uma doença altamente contagiosa entre os cães, ou seja, é transmitida pelos cães entre si, disseminando-se rapidamente.
Existem vários vírus implicados na doença, nomeadamente o vírus Parainfluenza, adenovírus canino 2 (CAV-2), vírus da Raiva e herpesvírus. A Bordetella bronchiseptica é uma bactéria que pode atuar como agente primário da doença, sobretudo em cachorros de idade inferior a 6 meses, embora seja mais frequente ocorrer como agente oportunista à infecção viral. Outras bactérias também podem estar implicadas na etiologia da Tosse dos Canis (Mycoplasma spp., Pseudomonas sp., Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae).

Esta doença é moderada e auto-limitante, sendo o único sinal apresentado pelo animal uma tosse seca e paroxística. Esta surge cerca de 5-10 dias após o contato com o(s) animal(s) infectados, e embora a severidade apenas dure cerca dos primeiros 5 dias, a doença persiste durante 10-20 dias, podendo o cão transmiti-la aos outros. A tosse como único sintoma, ou seguida de espirros e secreção nasal, e o histórico do animal permitem ao médico veterinário suspeitar do diagnóstico.

Em grupos de risco (cachorros, cães idosos e imunodeficientes), pode haver progressão para uma broncopneumonia, que necessita de tratamento rápido e adequado.

O dono deve instituir várias medidas, nomeadamente manter uma nutrição adequada do animal, realizar a correta higiene da habitação do mesmo, permitir o seu repouso e evitar a sua exposição ao frio.

O médico veterinário pode considerar necessário instituir uma terapêutica veterinária, a qual pode incluir alguns medicamentos para evitar que se transforme em uma broncopneumonia ou pneumonia.

Os agentes virais da Tosse dos Canis (CAV-2, PI e vírus da Raiva) e a bactéria B. bronchiseptica estão englobados em vacinas específicas para este efeito, pelo que o correto esquema de vacinação do seu animal é um passo importante na prevenção desta doença.

Se suspeita que o seu cão tenha Tosse dos Canis, leve-o ao seu Médico Veterinário, evite o contato entre este e outros cães saudáveis, por exemplo durante o passeio na rua ou durante a espera para a consulta veterinária.
Evite expor o seu cachorro a cães mais velhos e não vacinados, assim como levá-lo a passear à rua, antes de realizar a vacinação adequada.